quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

HORAS NOVAS

Uma nova etapa não tem necessariamente que estar sujeita a qualquer mudança de fundo, como é o caso dos horários. Sabemos que se torna difícil gerir os diferentes tempos de trabalho e os interesses do capital humano de uma empresa, tão diversos que são. Pede-se, tão simplesmente, que as pessoas sejam ouvidas, sempre que uma alteração profunda implique reformulação das rotinas. Temos inculcados os espaços de funcionamento das actividades e as horas de comparência noutras iniciativas que se estendem para lá da realidade diária de trabalho. O que se estranha é o facto de se fazerem transformações nas agendas pessoais a contento de preocupações imediatas e de vistas curtas, porquanto derivarem de impressões dadas fortuitamente numa daquelas reflexões muito inspiradas de vão de escada. Das que quase todos os dias irrompem de umas inteligências manobradas por influências paralelas que, subrepticiamente, continuam a controlar as decisões das pessoas que apõem rúbrica nos documentos que aparecem de corrença. Sujeitos a desmandos momentâneos de noção intuída, como encarneirados por um dever animalizado de obediência pastoril, todos nos prostramos perante painéis de recados aprazados e que limitam os tempos mais necessários à formação dos outros. Felizmente, nem todos procedem da mesma forma, ainda que alinhados a toque de erguer ou largar, porque conhecem mais o pastor que o cajado que ostenta.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

MANIFESTAR O SER

Testemunhar a nossa forma de ser e estar é um dos desafios mais exigentes nos tempos em que vivemos. Ouvimos comentários a propósito desta ou daquela pessoa, cujo comportamento logo nos apressamos a censurar, e ajuizamos praticamente tudo o que lemos e vemos. Somos algo disfarçados, pois nem sempre assumimos as palavras ditas como efectivamente nossas, muito menos os reparos meio clandestinos acerca da postura e jeito dos pares. Receamos abrir completamente o átrio da nossa personalidade, porque nos escondemos por trás da ideia de que quando tal acontece tudo resulta em prejuízo nosso. Não queremos interferências nem aceitamos mediações, conquanto lesivas do nosso mundo. Esquecemos, portanto, que se o abríssemos mais aos outros, tínhamos mais razões para tal exigir deles. Dos mesmos que se acomodam nos silêncios suspeitos e comprometidos, incapazes de dar uma opinião em público, sempre receando as reacções estranhas. De tal modo previsíveis, são pessoas nunca trabalhadas para aproximar, para cativar, para saber receber, senão para semear à sua volta um joio que extenua e aprofunda o alongamento das distâncias. Será pela existência de um super-ego muito forte, insistem em afirmar certos livros, que impede a revelação dos sentimentos e opiniões. Podem os livros ter mais razão que as próprias pessoas que os lêem e interpretam a seu critério? De certa maneira, deixar que se esconda parte de nós aos outros é admitir que há um lado escuro, muito pardacento, que se dissimula num riso falso e deixa perceber comportamentos adulterados em espaços perdidos da consciência, quando existe.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

reENTRAR NO RITMO

Após algum tempo de paragem, custa um pouco retomar os trabalhos antes iniciados. Faltará, até, a cadência do sono a que estávamos habituados e o ritmo de execução das por demais repetidas azáfamas. Temos de reentrar gradualmente nos programas de realização das funções ocupadas, principalmente para não causar choques inusitados aos nossos dependentes. Admitir ideias como esta nem será penoso, mormente para quem acredita em valores como a tolerância e a entreajuda faseada no tempo. Mas custa reconhecer em certas pessoas a vertigem com que se assumem administradores das vontades do grupo a que pertencem, pelo facto de apenas viverem para as tarefas de chefia a que os incumbiram. Como dominadores que são, não ajustam as suas exigências ao pessoal que lhes está adstrito, e nem sequer param para reflectir nos processos de optimização do trabalho, por exemplo. Porque o que há a fazer não se compadece com perda de tempo, ou com mesquinhas e inoportunas reflexões, pensam... Acham que reiniciar qualquer trabalho é simples e não necessita de nova adaptação aos contextos entretanto formados. Têm vidas de exclusividade entregues à causa do trabalho, assim mesmo, e entendem que todos se devem comportar como se assim vivessem: sem outras aptidões nem obrigações de ordem afectiva ou social. Pessoas de sentidos lentos, que só olham em frente e avaliam porque sim as regras de relacionamento. Terão alguma estrela que brilhe?

domingo, 4 de janeiro de 2009

ESTRELAS DE ESCOLHA


Para lá da rapidez com que os dias se revezam - já os primeiros deram, num ápice brusco, lugar a outros - é a violência com que as notícias do trânsito das coisas do mundo nos chegam na placidez do nosso lar. O que vem estragar a nossa paz, de maneira vertiginosa, nem parece ser tanto a perturbação trazida pelas imagens penosas e sangrentas, dadas na crueza da falta de edição, mas antes o desfalecimento das estrelas que nos iluminam. Sendo guias na nossa vida, precisamos delas para manter luzente o rumo a seguir na direcção dos nossos anseios. Porque temos sonhos, somos seres de criação e avaliamos os factos observados - ninguém pode ser chamado à neutralidade - alimentamos projectos e sustentamos desígnios com que nos identificamos, lidos nas páginas ilustres de raciocínios convincentes ou na fé dos astros. Num ou noutro campo, a sabedoria aí está à nossa espera para nos afirmarmos nas promessas entretanto estabelecidas nesta fase introdutória do ano. Olhadas as estrelas, em busca das evidências há muito procuradas, ficam-nos os caminhos a seguir, como respostas sossegadoras das nossas ansiedades perturbadoras. Quantas e quais seguir, num mundo em que a apoquentação e o delírio tomaram, de há muito, conta dos nossos itinerários. Temos escolhas a fazer. As primeiras e mais importantes moram bem dentro de nós, chamem-lhe certezas ou fantasias.

sábado, 3 de janeiro de 2009

AJUSTAR COMPROMISSOS

Pensamos que é pelo diálogo que as apostas podem sem concertadas, e que, as feitas connosco mesmos, chegam ao sucesso na persistência e abnegação corrigidas. Encarar de forma decidida e imaginativa os desafios lançados para este ano é o feito mais distinto a que nos podemos lançar por inteiro. Ponhamos as mãos cheias nas matérias que dependem de nós directamente, mesmo que aparentem pústula e imundície. Se nos virem entregar a alma aos novos projectos, não nos julguem arrebatados pelas ilusões crescentes nas coisas que fazemos. Afinal de contas, elas precisam da nossa entrega firme e resoluta, porque está em jogo o sentido de realização; o empenho pessoal e cooperativo; o investimento material e humano; a competência concretizadora; o domínio de técnicas de realização ao serviço de iniciativas comuns. Sendo necessário refazer as linhas de acção, há que convocar todos os elementos para ajustar as agulhas no novo rumo a tomar. E porque o começo de um ano depende dos acertos reflectidos e ponderados, para evitar maiores e complicadas vicissitudes, há que estar sempre alerta para intuir o melhor momento em que seja mais útil parar para formalizar as devidas adaptações dos ritmos a que iremos ficar sujeitos. E sem depender muito dos ciclos lunares.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

DESPERTAR PARA O QUE É NOVO

Ainda mal o ano começou e já estamos de fim-de-semana. O primeiro do ano. Não haverá outros dias como estes. Nunca. Pode parecer tudo muito igual, mas nada se repete linearmente. Temos de estar sempre despertos para as coisas novas de todos os dias, ainda que as tarefas não nos deixem muitos tempos de sobra para isso. Precisamos de descobrir o que se nos surge de novo, como fonte de pedagogia constante. Ver o que é irrepetível é compreender que também nós o somos, porque únicos. O que nunca foi usado requer outra relação. Tanto os dias como os objectos, ou, em posição extrema, os sentimentos coisificados, reclamam a nossa sempre alerta atenção, conquanto aprendizes das realidades. Se a quisermos entender na plenitude, então o melhor é ter os sentidos em permanente vigilância, no esforço de captar as evidências que as circunstâncias quotidianas nos vão fornecendo. A educação da nossa sensibilidade apura-se por tentativas, limando aqui e ali o que estiver a mais na inteligibilidade do que é exterior a nós. A leitura pode muito bem favorecer essa evolução, se estivermos bem identificados com os temas escolhidos. Abrir um livro bem pode ser como abrir uma porta para o conhecimento de nós mesmos, depois alargado aos outros. Despertar para as novidades é fundamental como forma de estimular os juízos, considerações e pensamentos. E é por demais aliciante, para que possamos ignorar o que decorre à nossa volta. O ritmo dado ao início de cada projecto pode fazer depender o seu sucesso, e não estar avisado pode hipotecar a agenda de apostas que, em absoluto, fizemos. Mesmo em segredo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

VIDA NOVA


O que mais se espera, ao entrarmos num ano novo, é que ele possa trazer vida nova. Por isso damos particular importância aos primeiros gestos e palavras dos primeiros minutos, porque eivados de significado inaudito. Temos tudo a avaliar aquando os começos: as pessoas; a festa; a meteorologia - convidativa ao recolhimento; o espumante ingerido; a viagem feita ou a fazer; o primeiro jogo feito - o resultado pode ser já o maior sinal do ano; as visitas, mais ou menos inesperadas - em jeito de nos abrirmos a surpresas; as prendas que não se abriram nos dias anteriores - mistérios entrados no ano novo para manter o assombro do que está para lá do papel de embrulho; ... Situações que servem de lição para mais um lote de 365 dias que se pretendem ricos em experiências. Ou serão mais uma fase do ensaio eterno que é a própria existência, até um dia estarmos prontos para a actuação final, perante uma assistência convidada para a nossa festa - a nossa última representação. Um ano de novas lutas e desafios autênticos, entre pessoas que os percebam pelo que efectivamente são, e não tanto pelo que podem vir a implicar nas suas restritas vidas. Quem as tem assim, limitadas e sem horizontes, porque mandam o que lhes mandam, pode até ver aquém dos que as leis fazem, mas revelam seu pensar curto na relação com os demais. Assim o ano pode ter entrado, mas não o novo, porque as pessoas permanecem numa imutabilidade repisada que entristece. Construamos ideias renovadas e digamo-las com palavras simples, em trocas abertas e livres de outras intenções que não as da concórdia e entreajuda. Bons começos a todos!